Em Israel, uma organização formada por palestinos e israelenses tenta mostrar a operários e estudantes que a paz entre os dois povos é possível.
O novo correspondente da Rede Globo no Oriente Médio, Ari Peixoto, acompanhou o trabalho do fórum das famílias enlutadas.
Diante de uma turma de jovens estudantes atentos, Aaron e Aisha tentam explicar a opção que fizeram e porque são iguais nas diferenças.
Ele, israelense, perdeu um filho no Líbano em 1999. Ela, palestina, viu o irmão ser morto por militares de Israel na Cisjordânia, também em 1999.
Hoje, lado a lado, e ao lado de outras pessoas como Jona, Jamil, Nir e Muhamad, percorrem o país de norte a sul. Fazem palestras em escolas, fábricas e centros comunitários israelenses e palestinos, para mostrar, principalmente aos jovens, que é possível mudar essa situação.
Integrantes do "Fórum de Famílias Enlutadas", uma ONG premiada internacionalmente, acreditam que só a união pode fazer um futuro melhor para as novas gerações.
Ao todo, 500 famílias fazem parte da organização, metade palestinas, metade israelenses. Todas perderam um parente direto em algum dos muitos conflitos da região. A diferença é que, depois de chorar suas perdas, elas decidiram não alimentar sentimentos como ódio e vingança. Ao contrário, se uniram para lutar pela paz e pela reconciliação entre os dois povos.
Aisha diz que entrou para o fórum porque foi a única maneira de botar para fora a raiva que sentia pela morte do irmão. Para ela, o diálogo é mais efetivo do que os conflitos.
Alguns ativistas do Fórum de Famílias Enlutadas foram mostrados no documentário "Ponto de Encontro", co-dirigido pela brasileira Julia Bacha. O filme mostra como milhares de civis israelenses e palestinos são afetados pelo fogo cruzado entre homens-bomba e sequestradores de um lado, e um dos mais poderosos exércitos do mundo do outro.
Nir afirma que as palestras conjuntas são um fenômeno novo, que a princípio assusta e confunde os mais jovens. Ele diz também que prefere trabalhar com pequenos grupos porque este é um processo lento e que muitos estudantes passam a conversar mais sobre o assunto com seus pais.
Com um livro sobre o filho nas mãos, Aaron diz que, com o apoio e a força de palestinos e israelenses, a paz é possível. Algo que, só de ser mencionado, faz surgir um imenso sorriso no rosto de Jamil, que completa: quando isso acontecer, não vou parar de rir nunca mais.
Fonte:http://jornalnacional.globo.com/Telejornais/JN/0,,MUL1045528-10406,00-ONG+TENTA+A+PAZ+ENTRE+ISRAELENSES+E+PALESTINOS.html
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